De todos os desafios que os cuidadores informais enfrentam, talvez o mais constante e abrangente seja este: como cuidar em equilíbrio?

Só os malabaristas mais experientes conseguem manter no ar todas as bolas que os cuidadores informais carregam. A bola da pressa constante, a da responsabilidade, a da culpa. Depois a bola das perguntas sem resposta, a da confusão mental e a das noites mal dormidas. A bola da amargura, dos momentos de raiva e daqueles em que gostariam de desaparecer.

Manter todas as bolas no ar durante todo o tempo é impossível, por isso de vez em quando há uma que cai e recomeça-se tudo outra vez.

Mas cuidar não é só malabarismo, porque enquanto atiram as bolas ao ar, os cuidadores também caminham sobre uma corda bamba. A cada passo fica claro que equilíbrio é fundamental nesta aventura. Se caírem, todas as bolas caem.

Então, foquemo-nos no equilíbrio. Para avançar, há que criar condições que permitam alguma estabilidade. Ter uma rede de apoio ajuda. Mais do que amparar a queda, está lá para sabermos que está lá. Para podermos confiar que teremos a quem ligar fora de horas a pedir apoio.

Mas o melhor contributo para o equilíbrio — demorei muitos anos a descobrir isto — vem mesmo da mentalidade do cuidador.

É dentro de cada um de nós que a mudança precisa de acontecer. Para que a sensação de estar num beco sem saída se atenue ou até desapareça, é preciso dizer “eu estou primeiro”. Deixar de lado a culpa e tudo o que nos ensinaram, e perceber que, tal como num avião temos de colocar primeiro a nossa máscara de oxigénio e só depois ajudar o outro, no cuidado temos de nos salvar a nós primeiro.

Esta mudança não se faz de um dia para o outro. Temos de nos rodear das pessoas certas. Temos de estar onde a mensagem nos chega. E temos de nos abrir à possibilidade de que, aos poucos, as coisas podem melhorar.

Só um cuidador equilibrado mantém as bolas no ar.


Não tens de fazer este caminho sozinho.

A Comunidade de Cuidadores Informais Eu Consigo é um espaço gratuito, no WhatsApp, acompanhado por uma equipa multidisciplinar — assistente social, terapeuta ocupacional, psicóloga, enfermeira e especialista em formação — pensado para que ninguém tenha de cuidar sem também ser cuidado.

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